segunda-feira, 29 de outubro de 2018

VIOLÊNCIA ARTÍSTICA

Nunca escrevi nada que prestasse até que aprendi a amar lutar.
E, quando se trata de arte, tenho minha paixão – e também uma teoria: se eu fosse emocionalmente equilibrada, nem um pouco depressiva e sem nenhum problema relacionado à ansiedade, acho que eu seria incapaz de fazer arte – pelo menos não da forma como a faço hoje.
Para mim, arte é violência.
Repudio a violência física, psicológica, sexual, moral e suas variantes, mas não consigo abrir mão da violência artística.
Eu faço arte para sentir. Para sofrer. E, em algumas ocasiões de sorte, para me libertar. E, sim, tenho a prepotência de chamar essas minhas palavras ordinárias de arte, na falta de um termo melhor.
Pobre garota de vinte e poucos anos, que pensa que sabe o que é sofrimento...
Mas será que é possível ser um ser humano sem sofrer? Sem sentir ódio? Sem querer esmurrar paredes e fazer das próprias tripas o coração?
Eu seria uma cretina se dissesse que a arte não me dá prazer. Como poderia? É a melhor coisa que existe. A única forma de chegar perto de conhecer os êxtases e decadências da humanidade.
Mas as coisas mais interessantes que eu já fiz ou já escrevi, mon chéri, foram resgatadas dos meus momentos de raiva, dor e pessimismo que nenhum antidepressivo poderia curar.
Preciso ser violenta na arte, para não ser violenta na vida. Minha violência artística é a minha válvula de escape da autodestruição.

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