terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

ARCANO XV

As cartas de tarot estão sobre a mesa.
Tem sangue na minha boca depois de ter cortado o polegar com papel.
São 22 Arcanos Maiores.
Eu quero colocar meu coração sobre a mesa e então ele melaria as cartas com sangue, gordura e gosma de órgão.
O meu cérebro não se importa com as imagens coloridas, mas eu sim. Minha carne pode ser ferida, rasgada, mutilada; mas eu não.
Eu sou um monte de carne, ossos, água, órgãos, sangue e tripas. Vou repetir isso até morrer. Que ideia foi essa de colocar sentimentos dentro dessa bola viva de fluídos? Se Deus existe, eu o acho estúpido.
A última carta que eu viro é “O Diabo”. Quem eu sou para Satã? Com quantas legiões de demônios se faz um inferno?
Me irrito com as cartas que me mostram caminhos abstratos que eu mesma escolhi. Bem e Mal, Deus e o Diabo, loucura e sanidade. Conceitos inventados para proporcionar a enganosa sensação de que estamos em segurança. Como eu odeio isso.
E depois de muito ódio e frustração eu cheguei a apenas uma conclusão: o inferno não são os outros. O inferno somos nós.

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